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Amor, sexo e outras coisas de que as princesas não falam.

Se há coisa de que me apercebi nos últimos meses é da necessidade que os homens sentem de ter uma mulher como "a amiga". Especialmente depois de uma separação. 

Uma amiga que os oiça, que os aconselhe, que lhe desmistifique a mente feminina, mas acima de tudo uma amiga com a qual possam ter aquele eventual flirt que lhes mantenha a dignidade masculina.

Todas nós ja fomos essa amiga e já conhecemos essa amiga de alguém. Escusado será dizer que para as namoradas, as mulheres, as ex-namoradas e afins do homem em causa, esta amiga representa um perigo iminente. Sabemos que ela que lhe conhece o lado frágil, o lado mais humano e sentimental e que isso os deixa, aos dois, bastante vulneráveis. Sabemos que a linha que separa um "tenho saudades tuas" dum "se me deixasses, saltava-te para cima" é muito fina, isto porque, nós próprias já tivemos nesse lugar.

O mais caricato desta situação é que quando confrontados com isto, ou no meio duma crise de ciúmes, os homens desvalorizam e negam esta cumplicidade bilateral e ambígua, mal sabem eles que sabemos sempre muito mais do que eles julgam.

 

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O novo ano começou tão turbulento como a viagem de metro até ao Terreiro do Paço para ver os fogos de artíficio. 

Impedida de desfrutar do champanhe e da noite em que há desculpa para tudo devido a motivos profissionais, dei por mim a ter a pior passagem de ano de sempre, na qual esperei hora e meia debaixo de chuva torrencial por um taxi que me deixasse em casa.

Mas isto é o menos.

Os amores e desamores da princesa continuam. 

Decidida que ia deitar fora o velho para deixar entrar o novo, pensei cá para mim "Vou fazer a escolha acertada e deixar o caveleiro defunto em prol do cavaleiro monocromático".

O cavaleio monocromático foi aquilo a que podemos chamar de fuck buddy. Eramos e somos amigos e entendiamo-nos na perfeição. Os nossos desamores tinham tanto em comum que se podiam fazer comparações assustadoras. Um amor perfeito, um break-up despropositado, um arrependimento repentino e zero hipótese de reconciliação. 

 

Por termos chorado juntos a nossa tristeza partimos do princípio que um caso entre nós era perigoso. Corríamos o risco de viver na sombra dos passados e decidimos não passar nunca daquilo que foi uma (muito) cúmplice amizade. Até aqui tudo bem. Não fosse a ex-princesa deste nobre cavaleiro preto e branco ter descido da torre para dar sinal de sua graça. 

 

Não impedi nada, não forcei nada. A César o que é de César.

 

Ele sempre insistiu em dizer-me "Conheci-te na altura errada", e eu sempre lhe respondi "Não há alturas nem pessoas erradas, tudo acontece por alguma razão". Agora sei que nos renovámos um ao outro e que servimos para que os outros se apercebessem do que realmente estavam a perder. 

 

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Sou fanática pelo Harry Potter e o cavaleiro defunto sabia disso. Rosas vermelhas são outra das coisas às quais não resisto, e essa praticamente toda a gente sabe, até porque é de senso comum. Todas as princesas gostam de rosas ou flores no geral.

 

Tinha estado em casa, a aproveitar as minhas folgas e preparava-me para voltar para a cidade onde trabalho e faço agora vida. Uma mudança que ocorreu há 5 meses atrás, até então nunca tinha estado longe do conforto da mamã. E sim, obriguei-me a essa mudança para superar o desgosto amoroso, verdade seja dita, não correu nada mal. 

 

Chego em cima da hora à estação, e como se isso não bastasse, na fila à minha frente está uma senhora a comprar bilhetes para o que parece ser um ano inteiro de viagens. A minha mãe antecipou-se e foi andando para a linha com a minha bagagem. Assim que tenho o bilhete corro atrás dela porque o comboio já tinha chegado. 

 

Ao lado dela um rapaz. Uma figura que não me era nada estranha. Era ele... O cavaleiro defunto, renascido das cinzas. 

 

- O que é que tu estás aqui a fazer?

- Tinha isto para te entregar. - do bolso tira um saquinho de plástico com um colar lá dentro. Era o símbolo dos três feiticeiros do Harry Potter. Aceito, dou-lhe um beijo na cara e entro no comboio. Despeço-me da minha mãe com um "Fala com ele."

 

Com uma mala enorme atrás e completamente longe da minha carruagem começo a andar pelos corredores do comboio com a cabeça feita em água. Acabo por deixar a mala numa carruagem que nada tinha a ver com a indicada no bilhete e preparava-me para voltar, já mais leve, para o meu lugar marcado. Quando saio de uma carruagem para a outra, oiço uma voz:

 

- Afinal ainda vim a tempo.

 

Caiu-me tudo. Era um amigo meu de há alguns anos que se lembrou de repente que está apaixonado por mim. Dentro do comboio. À minha espera.

 

- Só podes tar a gozar comigo. 

- Não tou nada, não fiques assim. Toma. - E de dentro do casaco tirou um ramo com 7 rosas vermelhas. 

 

Fiquei sem reacção. Ele deu-me um beijo na testa e saiu na estação a seguir.

 

Fui o resto da viagem inteira a pensar que a minha vida dava uma comédia romântica. 

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Cinco meses sem o ver e tive de insistir.

Precisava de saber se já o tinha ultrapassado. Precisava de me sentir completamente segura de mim e invulnerável na sua presença. Insisti e marcámos um encontro. Agi o mais naturalmente possível, falámos da vida dele, falámos da minha. 

Despedimo-nos com dois beijos na cara e começaram as mensagens.

 

O que para mim foi a confirmação de que o sofrimento por uma pessoa muda completamente a opinião que tens sobre ela, para ele foi a confirmação de que fugir de um problema é dificultar a sua resolução.

 

Está arrependidíssimo. O orgulho masculino impede-o de conseguir viver com o facto de eu ter estado com outras pessoas. Que ingénuo.

 

E como se isto não bastasse, agora que eu já estava tão bem sem ele, ele resolveu que me quer de volta na vida dele.

 

Alguém vai sair magoado no meio disto tudo e juro que não vou ser eu.

 

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03
Dez13

O primeiro é sempre o primeiro. E por ter sido o primeiro merece essa distinção.

Apaixonei-me aos 14 anos e jurei que ia ser para sempre, que era ele o homem da minha vida. Entendiamo-nos na perfeição e não só partilhávamos sorrisos, beijos e a cama, como ideologias, modo de vida e amigos. 

 

Quais são as probabilidades de acertar à primeira?

Quando fiz os 18 anos comecei a pensar nisto e a assustar-me com a proporção do compromisso. 

Davamo-nos bem, mas e depois? O que há para além disso quando ainda há tanto para fazer?

 

Acabou. Consensualmente. Ele sofreu mais que eu.

 

Até hoje ele é o meu primeiro, e eu sou a mulher da vida dele. Mas o destino é fodido.

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Cresci a pensar que era feia.

 

Nunca fui do grupo mais popular do liceu, usava óculos, tinha umas sobrancelhas selvagens e uns quantos quilos a mais.

Conformei-me com isso e habituei-me a não receber atenção do sexo oposto.

 

Este ano descobri que sou "grossa". Pelo menos esse tem sido o adjectivo que me tem sido atribuido, mais do que uma vez, por mais do que uma pessoa.

 

A questão é que durante os meus anos de transformação tive sempre indisponível: duas relações duradouras - uma de quatro e outra de três anos. De repente fico solteira e vejo-me rodeada de abutres. Ao que parece a minha simpatia é contagiante e há por aí muito menino que não sabe a diferença entre um sorriso inocente e um olhar sugestivo. 

 

Fiquei abismada: "Mas de onde é que isto vem?"

 

Amigos de longa data que afinal não me viam como um gajo. Amigos de amigos que sempre me tiveram debaixo de olho. Amigos novos, claramente com segundas intenções.

 

E não é que esta coisa da atenção sabe bem? Masturbadores de ego, como eu gosto de lhes chamar. O problema aqui é que cada um destes nobres cavaleiros ansiosos por entrarem no meu castelo têm, individualmente, características que me agradam e dou por mim a ter conversas comprometedoras com todos.

 

Não julguem a princesa. Nunca soube o que era isto do cortejo: as rosas, os jantares, entrar em discotecas sem pagar ou as constantes mensagens no telemóvel. 

 

O essencial aqui é manter a postura e ver qual dos cavaleiros tem a persistência suficiente para chegar a príncipe.

 

 

 

 

 

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Cinco meses. Passaram cinco meses.

O silêncio quem o quebrou fui eu, e quem o instaurou novamente também fui eu. Parecia-me inconcebível que depois de três anos de cumplicidade se conseguissem passar cinco meses sem cruzar caminhos, olhares ou palavras que não amargas.

Tentei manter a cordialidade, a meio do caminho pensei que já tinha feito o luto, mas esquecer uma pessoa é uma coisa, e vê-la seguir em frente é outra.

 

Mais uma vez respirei fundo, ri-me de mim própria e cortei-o pela raiz. Até agora o amor não me tinha corrido mal. Senti-me estúpida. É tão fácil dar tudo no amor que nos esquecemos de receber. Quando recebemos o inesperado é como se nos passassem um atestado de burrice.

 

“Não consigo ser só teu amigo. Não consigo deixar de te ver como minha namorada.” Palavras que ecoam na minha cabeça e que fazem ricochete com outras que contradizem “Não consigo olhar para ti na cara, não consigo ter uma conversa contigo.”

 

Vesti a atitude. Desisti de lutar e ironicamente foi aí que comecei a ganhar. Troquei o amor pelo sexo. Já que o primeiro está tão desvalorizado quanto o segundo, para quê darmo-nos ao trabalho?

 

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- "Tu fodeste 3 gajos?" - perguntou-me...

Não ouvi, nem vi, mas tenho a certeza que o pronunciou com repugna e frieza, como quem acaba de ser brutalmente ofendido e riposta com a simples arrogância do desprezo.

 

Ri-me. Não o consegui levar a sério. A sua incredibilidade soara-me tão inocente quanto ridícula. 

- "Mas tu és uma princesa" - continuou...

Tive que o corrigir: "ERA. Era uma princesa." 

 

A princesa morreu no dia em que ele decidiu roubar-lhe a coroa e o coração. Rasgou-lhe o vestido sem dó, sem que ela sequer o visse. Trocou a realeza pela anarquia, afinal, a vida boémia era muito mais aliciante.

Fiquei a olhar para as ásperas palavras de nojo e desrespeito que continuaram a surgir no ecrã.

Achei inacreditável a fraca noção que ele tinha das consequências dos seus próprios actos.

 

Não resisti e entrei naquele jogo de palavras, deixando que estas fossem as minhas últimas: "Quem fodeu a princesa, foste tu!"

 

A princesa vestiu umas calças de cabedal, carregou no eyeliner, acendeu um cigarro e fez-se à vida.

 

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