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Amor, sexo e outras coisas de que as princesas não falam.

O novo ano começou tão turbulento como a viagem de metro até ao Terreiro do Paço para ver os fogos de artíficio. 

Impedida de desfrutar do champanhe e da noite em que há desculpa para tudo devido a motivos profissionais, dei por mim a ter a pior passagem de ano de sempre, na qual esperei hora e meia debaixo de chuva torrencial por um taxi que me deixasse em casa.

Mas isto é o menos.

Os amores e desamores da princesa continuam. 

Decidida que ia deitar fora o velho para deixar entrar o novo, pensei cá para mim "Vou fazer a escolha acertada e deixar o caveleiro defunto em prol do cavaleiro monocromático".

O cavaleio monocromático foi aquilo a que podemos chamar de fuck buddy. Eramos e somos amigos e entendiamo-nos na perfeição. Os nossos desamores tinham tanto em comum que se podiam fazer comparações assustadoras. Um amor perfeito, um break-up despropositado, um arrependimento repentino e zero hipótese de reconciliação. 

 

Por termos chorado juntos a nossa tristeza partimos do princípio que um caso entre nós era perigoso. Corríamos o risco de viver na sombra dos passados e decidimos não passar nunca daquilo que foi uma (muito) cúmplice amizade. Até aqui tudo bem. Não fosse a ex-princesa deste nobre cavaleiro preto e branco ter descido da torre para dar sinal de sua graça. 

 

Não impedi nada, não forcei nada. A César o que é de César.

 

Ele sempre insistiu em dizer-me "Conheci-te na altura errada", e eu sempre lhe respondi "Não há alturas nem pessoas erradas, tudo acontece por alguma razão". Agora sei que nos renovámos um ao outro e que servimos para que os outros se apercebessem do que realmente estavam a perder. 

 

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03
Dez13

O primeiro é sempre o primeiro. E por ter sido o primeiro merece essa distinção.

Apaixonei-me aos 14 anos e jurei que ia ser para sempre, que era ele o homem da minha vida. Entendiamo-nos na perfeição e não só partilhávamos sorrisos, beijos e a cama, como ideologias, modo de vida e amigos. 

 

Quais são as probabilidades de acertar à primeira?

Quando fiz os 18 anos comecei a pensar nisto e a assustar-me com a proporção do compromisso. 

Davamo-nos bem, mas e depois? O que há para além disso quando ainda há tanto para fazer?

 

Acabou. Consensualmente. Ele sofreu mais que eu.

 

Até hoje ele é o meu primeiro, e eu sou a mulher da vida dele. Mas o destino é fodido.

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- "Tu fodeste 3 gajos?" - perguntou-me...

Não ouvi, nem vi, mas tenho a certeza que o pronunciou com repugna e frieza, como quem acaba de ser brutalmente ofendido e riposta com a simples arrogância do desprezo.

 

Ri-me. Não o consegui levar a sério. A sua incredibilidade soara-me tão inocente quanto ridícula. 

- "Mas tu és uma princesa" - continuou...

Tive que o corrigir: "ERA. Era uma princesa." 

 

A princesa morreu no dia em que ele decidiu roubar-lhe a coroa e o coração. Rasgou-lhe o vestido sem dó, sem que ela sequer o visse. Trocou a realeza pela anarquia, afinal, a vida boémia era muito mais aliciante.

Fiquei a olhar para as ásperas palavras de nojo e desrespeito que continuaram a surgir no ecrã.

Achei inacreditável a fraca noção que ele tinha das consequências dos seus próprios actos.

 

Não resisti e entrei naquele jogo de palavras, deixando que estas fossem as minhas últimas: "Quem fodeu a princesa, foste tu!"

 

A princesa vestiu umas calças de cabedal, carregou no eyeliner, acendeu um cigarro e fez-se à vida.

 

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